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Entenda como escolas brasileiras têm aplicado conceitos do Japão

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Saiba mais sobre a abordagem Estudo de Aula que, segundo Akihiro Takahashi, educador japonês que acompanha professores americanos nessa abordagem, “é considerado o melhor modo do professor se desenvolver profissionalmente”.

Desde fevereiro de 2018, a professora Adriana Silva estava planejando a aula que deu em julho do mesmo ano para os alunos de 5° ano da EPG Hamilton Félix de Souza, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. O tempo de preparação foi tão longo porque a lição foi pensada de acordo com a abordagem do Estudo de Aula, que ela aprendeu durante uma viagem que fez a Chicago, nos EUA, a convite da Fundação Lemann.

Adriana e mais dois colegas da rede municipal participaram de um workshop de cinco dias em que conheceram a abordagem, vinda do Japão. “O Estudo de Aula é considerado o melhor modo do professor se desenvolver profissionalmente: trabalhando em grupo para resolver problemas difíceis que encontram em sala de aula”, conta Akihiro Takahashi, educador japonês que acompanha professores americanos nessa abordagem e liderou o curso frequentado por Adriana.

Todo o planejamento culminou na aula ao vivo, acompanhada por Takahashi e Thomas Mcdougal, da Lesson Study Alliance, instituição que divulga essa estratégia de estudo nos Estados Unidos. “Ficamos muito otimistas ao ver a aplicação do Estudo de Aula aqui no Brasil”, diz Thomas.

E para entender um pouco mais, confira 3 dos elementos presentes nessa abordagem:

1) Escolha um tema difícil e um tópico específico

Durante um período longo, como um ano ou mais, aborde um tema complexo. O trabalho deve ser focado em um aspecto específico de uma única aula. No caso de Adriana, o grupo formado por ela e pelos colegas Helen Graciely Martins e Rogério da Mata decidiu planejar uma atividade que falasse sobre o que fazer com o resto de uma operação de divisão. “Notei que muitos alunos só ignoravam aquele número”, conta a professora. Os especialistas alertam que não vale selecionar o tema que você mais goste de ensinar. “O objetivo é resolver um problema que o professor tenha. Se ele seleciona algo com que lida bem, ele não aprende nada de novo”, ressalta Thomas.

2) Pesquise em fontes diversas

Quando o problema for selecionado, é hora de aprender ainda mais sobre ele. Pense na sua turma e busque referências em fontes diversas e bastante aprofundadas. “Em primeiro lugar, é preciso olhar para os estudantes e entender quais são as dificuldades que eles têm e por que esse tema é importante para eles, assim como quais atividades podem engajá-los”, diz Akihiko. Depois, é hora de ler o máximo possível sobre o assunto. “Procuramos exemplos de atividades e também teses e artigos acadêmicos”, conta Adriana. Todo o trabalho deve ser feito de forma colaborativa: a cada passo, o grupo se reúne e vai discutindo as descobertas que fez. Esse processo pode ser acompanhado por um parceiro externo ao grupo de trabalho, como um coordenador pedagógico ou especialista.

3) O que levar em conta ao planejar

Toda a pesquisa embasa o planejamento da aula. A abordagem do Estudo de Aula parte da premissa de que os alunos precisam desenvolver sua autonomia e pensar por si mesmos. Por isso, a ideia é (tendo o objetivo da aula bem claro) pensar nas atividades que vão levar a turma a atingi-lo. “No começo, a gente pensava em alguns exercícios, mas chegamos à conclusão de que uma única situação-problema era suficiente. Assim, teríamos tempo para que os alunos discutissem sobre ela, o que é mais importante”, conta Adriana.

Fontes:
https://novaescola.org.br/conteudo/12300/educacao-no-japao-como-planejamento-e-colaboracao-podem-mudar-a-aula

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