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Professora usa videogame para ensinar história

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Confira o relato da professora Marili Bassini. Ela é graduada em história com mestrado em história cultural e doutorado em educação (fase final). É professora há 20 anos, com experiência em todos os níveis de aprendizagem. Atualmente, atua no ensino médio e no ensino superior e inovou com seus alunos ensinando história com a ajuda do videogame.

“Eu já participei de vários programas de formação de professores dentro da Unicamp. Sempre discuti a questão do que fazer de diferente na educação com o Fernando Arantes e a Miriam Oliveira, que são meus parceiros e coordenam o grupo de Projetos Especiais para Inovação Educacional. A partir disso, resolvi tentar algumas experiências na disciplina de história com os meus alunos de ensino médio. Para criar um projeto, sempre tinha aquele pensamento de aproximar a prática da realidade deles.
Observando o interesse dos alunos por jogos, eu comecei a perceber que eles tinham um fundamento histórico que poderia ser explorado em sala de aula de uma forma diferenciada, incentivando os estudantes a pesquisarem sobre o período tratado no jogo.

Como eu também gosto muito de jogos e estamos em um momento privilegiado graças à variedade de títulos disponível no mercado, eu propus aos alunos que estudassem o conteúdo e a partir deles, na sequência, montassem vídeos.
Logo no início, eles já sugeriram vários jogos que poderiam ser utilizados no trabalho (Revolução Francesa em Assassin’s Creed, Segunda Guerra Mundial em Mundial em Battlefield 2). A única obrigatoriedade era o fundamento histórico. Depois de jogar em casa, tinham que trazer para mim uma lista de pontos que tinham observado no jogo, como arquitetura e figurino dos personagens.

Eu orientava a pesquisa a partir dos pontos que chamavam a atenção deles, indicando sites e temas de estudo. Eu também passava fontes na internet que não tinham informações fidedignas. Assim, eles aprenderam a refinar a busca. A primeira pergunta que fazem agora é “mas quem escreveu”? Depois de um tempo, esse processo ficou natural, e eles aprenderam a questionar a informação.

Para finalizar, nós fizemos um dia de apresentações, com uma banca de professores para avaliar o contexto histórico, a metodologia de pesquisa e a forma como apresentaram o jogo no vídeo. Nesse dia, aconteceu uma coisa que eu nunca tinha visto em 20 anos de profissão. Quatro grupos de alunos (dentre os 18 que estavam apresentando) me procuraram e pediram para tirar o trabalho deles da apresentação, alegando que queriam refazê-lo, já que tinha ficado inferior aos outros que estavam sendo exibidos. Por essa capacidade de autoavaliação, eu achei que o processo todo já tinha dado certo.

Só pelo fato do projeto envolver jogos, os alunos já têm um olhar diferente. Um deles veio me falar: “Professora, eu espero há cinco anos para fazer um trabalho assim”. A leitura e interpretação de texto melhorou muito; a própria espacialidade melhorou, eles já conseguem montar na cabeça uma sequência histórica e entender que um fato está ligado ao outro. Além disso, eles passaram a olhar para o jogo de forma diferente, questionando algumas coisas que antes passavam desapercebidas.”

Veja o vídeo do projeto:

Fonte: www.porvir.org

2 ComentáriosDeixe um comentário

  • Maravilhoso!

    Sou graduanda de Licenciatura Plena em História e também acredito fielmente que podemos fazer do ambiente de sala de aula muito mais interessante quando falamos a mesma linguagem dos alunos. Sou apaixonada pela franquia Assassin’s Creed e acho fantástico a possibilidade de trazer os temas dos jogos para a sala de aula. Inclusive quero fazer meu trabalho de conclusão sobre o tema. Parabéns pela iniciativa!

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